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Com Lira Maia e Maria fora do páreo, Juiz pede nova eleição
O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) já
recebeu solicitação da Justiça Eleitoral de Santarém para
dar início a um novo processo eleitoral no município. O
titular da 83ª Zona Eleitoral, Dr. Silvio César dos Santos
Maria, encaminhou ofício ao TRE solicitando a nova eleição.
O motivo do pleito foi o indeferimento do registro da
candidatura da prefeita Maria do Carmo, reeleita no dia 5 de
outubro passado.
De acordo com o juiz eleitoral, nem Maria e
nem o ex-prefeito Joaquim de Lira Maia poderão participar da
disputa. No caso de Maria do Carmo, o impedimento foi
imposto pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que
reconheceu sua inelegibilidade pelo fato de ela ser
promotora de Justiça e não ter se afastado em tempo hábil.
Daí a cassação de seu registro. Maria do Carmo tentou reaver
o mandato, mas seus recursos foram derrotados um a um, tanto
no TSE como no Supremo Tribunal Federal (STF), sendo que
este último não reconheceu a ação cautelar pro-tocolada
pelos advogados do PT junto aquela Corte.
O Supremo deve julgar definitivamente o caso
apenas em feve-reiro, quando retorna do recesso. Já a
situação do deputado fe-deral e ex-prefeito Lira Maia,
segundo o magistrado, é compli-cada por causa de suas
prestações de contas reprovadas no Tribunal de Contas do
Município (TCM). Ele também está impe-dido de concorrer.
Seus respectivos vices também não tem o direito de
participar do pleito eleitoral, já que a decisão é
esten-dida a eles.
À imprensa, o Dr. Silvio César descarta a
possibilidade de um parecer em favor da candidatura da agora
ex-prefeita Maria do Carmo. Segundo ele, a resolução do TSE
que vai disciplinar o pleito deve sair até 10 de janeiro,
abrindo prazo para registro de candidaturas, período de
campanha e data da eleição, que deve ocorrer dentro de 30 a
60 dias, após a decisão do STF, caso resolva cassar
definitivamente a candidatura da prefeita do PT. O
magistrado lembra ainda que a nova eleição deva custar até
R$ 150 mil, já que a Justiça Eleitoral usará todo aparato
usado no último pleito, incluindo alimentação de mesários e
transpor-tes das urnas eletrônicas.
Partidos fazem
articulações de olho na nova eleição
A possibilidade de uma nova eleição municipal
em Santarém causou agitação nos principais partidos
políticos do município. As articulações giram em torno de
eventuais nomes para con-correr à chapa majoritária. Por se
tratar de um novo processo eleitoral, novas alianças também
devem ser firmadas e antigos compromissos podem ou não ser
mantidos. Analistas políticos acreditam que o município
viverá tempos de incertezas nos pró-ximos dias, sobretudo
enquanto o Supremo Tribunal Federal não se manifestar
definitivamente sobre a situação da ex-prefeita Maria do
Carmo. Há, segundo os petistas, esperanças remotas de Maria
reaver o direito de diplomação e posse do mandato
conquistado nas urnas no dia 5 de outubro. Por outro lado,
mes-mo os mais confiantes preferem agir com prudência e,
portanto, negociam com aliados a formação das futuras
coligações.
PT, PMDB, PSDB e DEM serão novamente os
protagonistas, mas os partidos nanicos não admitem ficar
fora da disputa e nego-ciam caro seus apoios aos pretensos
candidatos majoritários. Com Maria e Maia fora do páreo, as
opções são escassas. Ne-nhum dos três principais partidos do
município tem um nome de consenso para apresentar. Os nomes
sugeridos, até o momento, são considerados inexpressivos.
O DEM, por exemplo, deve manter a aliança com
o PSDB e trabalhar o nome do deputado estadual Alexandre
Von. Vice-prefeito no governo de Lira Maia, o parlamentar é
considerado forte concorrente, mas sem muito carisma
popular. Já o PT faz mistério sobre quem deve ser o
candidato petista em caso de nova eleição. Juca Pimentel,
presidente do partido diz que as principais lideranças
petistas estão trabalhando para manter a coligação que
garantiu a vitória da prefeita Maria do Carmo no último
pleito. No entanto, ele não descarta a possibilidade de o PT
vir apoiar outro sugerido pelos aliados.
O fiel da balança novamente é o PMDB, que,
através de seu pre-sidente municipal, deputado Antonio
Rocha, já anunciou que o partido lançara nome próprio à
disputa. Provavelmente o próprio Rocha seja o candidato. As
especulações em torno de uma aliança entre PMDB e DEM se
acentuaram nos últimos dias. Democratas e peemedebistas, no
entanto, tentam desfazer es-ses comentários.
José Maria
Tapajós assume prefeitura interinamente
Reeleito em 5 de outubro para exercer o sexto
mandato na Câ-mara Municipal, o vereador José Maria Tapajós
enfrenta o seu maior desafio desde que ingressou na vida
pública. Na tarde da última quinta-feira, Tapajós foi
conduzindo ao cargo de prefeito interino de Santarém pela
prefeita Maria do Carmo, que não teve o direito de assumir o
segundo mandato por conta de uma deci-são do Tribunal
Superior Eleitoral (TSE), que indeferiu o registro de sua
candidatura no dia 16 de dezembro passado, tornando-a
inelegível. Pela segunda vez na história política do
município, um governante eleito pelo povo não assumiu o
cargo. Há 40 anos, Elias Pinto teve o mandato cassado pela
Câmara e o município ficou sem seu prefeito. Quis o destino,
no entanto, que a cadeira da Prefeitura fosse ocupada por um
dos políticos mais experientes da política santarena e que
presidiu o Legis-lativo por três vezes, conduzindo os
trabalhos naquela Casa com extrema responsabilidade e
transparência.
Tapajós recebeu a bandeira do município das
mãos da prefeita Maria do Carmo em solenidade realizada no
hall de entrada do Palácio Jarbas Passarinho, ocupado por
funcionários do governo, secretários, coordenadores e
assessores municipais, além de vereadores e presidentes dos
partidos da base aliada. Presentes também, em pouco, mas
fiel número, eleitores que demons-traram apoio à antiga
gestora a cada frase em seu pronun-ciamento.
O prefeito interino fez um discurso moderado,
enaltecendo o tra-balho da prefeita Maria do Carmo, além de
enumerar todas as obras deixadas pela administração
anterior. Um dos atos do gestor provisório foi nomear e dár
posse aos secretários de go-verno. José Maria Tapajós
manteve a mesma equipe deixada por Maria do Carmo, com
exceção de Sandro Lopes, que assume o lugar de Joaquim
Azevedo. Quem também ficou fora do governo foi o
ex-secretário Inácio Corrêa, exonerado do cargo no dia 5 de
dezembro. Ele surge como uma opção petista para uma futura
eleição municipal.
Vereador Nélio
Aguiar preside Câmara de Vereadores
Tal qual seu colega de vereança, o médico
Nélio Aguiar também tem um papel importante neste início de
ano na política santarena: conduzir os rumos do Poder
Legislativo até que o titular do cargo retorne quando deixar
a Prefeitura. Eleito na chapa encabeçada por José Maria
Tapajós como vice-presidente, o presidente do PMN assumiu a
presidência da Câmara interinamente, durante solenidade de
posse dos vereadores realizada na última quinta-feira.
A posse dos novos parlamentares reuniu
amigos, simpatizantes e familiares dos edis, que lotaram as
galerias do plenário Benedito Magalhães. Por volta das 15
horas, o presidente José Maria Tapajós deu início à sessão
especial. Tapajós leu o juramento, repetido pelos colegas e,
após o término da posse de todos, a Câmara entrou em recesso
para que fosse feita a composição das chapas que
concorreriam à presidência da Mesa Diretora. Apenas uma
chapa foi registrada, justamente a encabeçada por Tapajós e
Nélio Aguiar. Os 14 vereadores vota-ram e com 10 votos
válidos José Maria Tapajós foi reeleito para mais um mandato
à frente do Poder Legislativo. Os vereadores de oposição
votaram em branco.
Os demais cargos da Mesa Diretora estão assim
distribuídos: Vice-presidente: Nélio Aguiar (PMN); 1º
secretário: Emir Aguiar (PR); 2º secre-tário: Bruno Pará
(PDT); 3º secretário: Carlos Jaime (PT) e 4º secretário:
Gerlan-de Castro (PP).
O presidente interino da Câmara, vereador
Nélio Aguiar, disse aos jornalistas que irá atuar em
harmonia com o Poder Execu-tivo, deixando de lado as
vaidades ou questões partidárias, colaborando com o povo de
Santarém, “para que possamos pas-sar por esse momento sem
grandes dificuldades e que o nosso povo não seja penalizado
pelo problema jurídico que surgiu com relação à eleição da
prefeita Maria do Carmo”, finalizou. |