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Maria e Elias Pinto
são casos diferentes
Numa entrevista à imprensa, o advogado
Geraldo Sirotheau fez uma afirmação errada, quando disse que
está ocorrendo com a prefeita Maria do Carmo um processo
idêntico ao que aconteceu com o ex-prefeito Elias Ribeiro
Pinto, há 41 anos. Lamentavel-mente o entrevistado cometeu
um grande engano. Se não ve-jamos: o senhor Elias Pinto, em
uma campanha eleitoral que ele denominou "do tostão contra o
milhão", em que ele conseguiu o incondicional apoio da
grande colônia nordestina, da qual ele se dizia integrante,
tendo criado a famosa expressão: "Meus irmãos da brava gente
nordestina, que a camisa catinga de suor, mas cheira de
lealdade"! Uma grande vitória, em cuja posse houve uma
grande festa em toda a cidade, com o candidato eleito sendo
conduzido nos braços do povo, da catedral da Imaculada
Conceição para o prédio da Câmara Municipal (antigo
Teatro Vitória), onde foi proclamado eleito prefeito de
Santarém e, daí para o antigo prédio da prefeitura
municipal, hoje Museu João Fona, onde assumiu o comando do
município de Santa-rém, como seu 22º prefeito.
Decorrido um certo tempo, o prefeito
eleito, diplomado e empos-sado, passou a praticar atos de
improbidade administrativa que, comprovados e denunciados ao
Tribunal de Contas dos Municí-pios, foi por este feita a
indicação da necessidade de a Câmara Municipal efetuar a
cassação do mandato do prefeito Elias Ribei-ro Pinto, em
conseqüência de sua malversação administrativa, no exercício
do mandato de prefeito de Santarém. Os vereadores da Câmara
Municipal, seguindo os termos da indicação do TCM e com a
maioria de oito a cinco, cassaram o mandato do prefeito
Elias Pinto e do presidente da Câmara que, naquele tempo,
era o substituto legal de prefeito nas suas ausências para
fora dos limites do município que, lamentavelmente, havia se
envolvido nas falcatruas do chefe do Poder Executivo; e,
nestas circuns-tâncias, o primeiro secretário da Câmara,
vereador Manoel Jerô-nimo Diniz, assumiu as funções de
prefeito, até que, com a elei-ção do vereador Elinaldo
Barbosa para presidente da Câmara, este assumiu as funções
de prefeito, até o seu assassinato, quando o mandato de
prefeito voltou a ser assumido pelo 1º secretário da Câmara
(vereador Fábio Chagas Lima), até a posse do interventor
Elmano de Moura Melo, nomeado em conse-qüência da inclusão
de Santarém na área de segurança nacional.
Com a Dra. Maria do Carmo Martins está
ocorrendo uma situação totalmente inversa: Ela foi eleita
pela vontade soberana do povo e está sendo impedida de
assumir o seu mandato porque, segundo consta, houve falha no
processo de registro de sua candidatura, que foi aceita pela
Justiça Eleitoral e, após sua eleição, está sendo contestada
pelas citadas alegações. Pode-mos, portanto, afirmar que não
há qualquer aspecto idêntico entre os processos do
ex-prefeito Elias Pinto, que ocorreu em 1967, acusado de
malversação no exercício do cargo de prefeito municipal e da
prefeita Maria do Carmo que foi reeleita, no dia 5 de
outubro do ano passado (2008), sendo acusada de falha no
processo de registro de sua candidatura, cuja demanda
encon-tra-se no Supremo Tribunal de Justiça (STJ), em forma
de recur-so contra a decisão do TSE, que está sendo
contestada pelos advogados da prefeita eleita.
Não queremos nos manifestar a favor da
Dra. Maria do Carmo porque não temos competência. Todavia
podemos afirmar, com segurança, que houve um lamentável
engano na afirmação do entrevistado. Um feliz ano novo a
todos os leitores da Tribuna do Tapajós!
Prof. Antônio Pereira
Como nos tempos de Noé
Santarém era uma cidade localizada no
Oeste do Pará, e majes-tosamente ficava na confluência de
dois grandes rios da região; o Amazonas que passava ao largo
de sua orla fluvial, mas San-tarém banhava-se com suas
paradisíacas praias nas águas límpidas do rio Tapajós. Essa
cidade experimentou vários mo-mentos de crescimento
econômico com os ciclos sucedâneos da borracha, do ouro, da
madeira e da soja e com perspectiva na época para a
influencia da mineração. Cresceu com o advento da nova
fronteira agrícola e a produção da monocultura da soja e a
exploração de madeiras nobres das florestas da região.
Essa metrópole, conhecida como “Pérola do
Tapajós”, teve vá-rios reinados, uns bons e razoáveis outros
nem tanto, mas Santarém sobrevivia da interação dos povos da
região e de migrantes de outros impérios que chegaram
investindo para ganhar dinheiro com o futuro promissor deste
império amazônico ao Norte do Brasil. Mas no reinado da
Rainha de Sabbá, uma soberana bem intencionada pela sua
formação em bons educandários de Belém da Judéia, e por
acatar os princípios do direito e tendência
monárquico-democrática herdada do pai, um monarca que havia
reinado por duas vezes em tempos idos essa mesma província
nortista.
A Rainha de Sabbá queria mostrar serviço
em seu primeiro reinado e registrar seu nome nos anais da
história, mas foi infeliz ao escolher seus assessores e
escribas, pois preferiu adotar o “sistema de nepotista”,
nomeando parentes próximos para lhe auxiliarem sem levar em
consideração suas capacidades intelectuais e técnicas, não
deu ouvidos ao Conselho dos An-ciãos, concedendo carta
branca à esses súditos nas execuções dos serviços almejados
pelo povo que tanto lhe aplaudiu nas manifestações públicas
e no “anfiteatro do museu público” onde demonstrava muita
popularidade.
Porém, no final do ano 2008, um humilde
pescador de nome Tomé, morador dessa cidade, homem temente a
Deus e crédulo dos anúncios meteorológicos, como nos tempos
de Noé, previu que o inverno do ano de 2009 seria de grandes
proporções, um verdadeiro dilúvio, devido os grandes
desmatamentos na região feitos pelos povos bárbaros
invasores que ignoravam as leis ambientais da época regidas
com deficiência pelos “governa-dores provinciais” e pela
incompetência fiscalizadora das áreas florestais atacadas
criminosamente.
Correu na época o comentário de que essa
rainha só era “testa de ferro” de seu reinado, pois quem
mandava realmente na dinastia era seu irmão “o príncipe das
trevas” que provavel-mente se autonomeou secretário e se
apossou do cargo com super-poderes de decisão, muito
diferente dela, pois era prepo-tente e impunha seus
caprichos ditatoriais pela filosofia político-partidária de
que era filiado e se espelhava no Grande Impera-dor que
adorava o poder central. Ela tentou um segundo reina-do, mas
correntes contrárias puxaram seu “tapete mágico” e
im-petraram no Grande Sinédrio ação de impedimento, momento
quando o poder passou por mãos desqualificadas, fruto de
conchavos políticos suspeitos antes mesmo do grande dilúvio,
feitos por edis incapazes e interesseiros, pois não havia
oposi-ção a esse reinado.
Graças a essa assessoria inoperante,
Santarém recebeu serviços de pavimentação em algumas ruas,
como a Via Ápia ou Viaduto, mas sem planejamento, portanto
sem qualidade, sendo esque-cido um projeto de saneamento
básico com aquedutos dimensio-nados para escoamento e
absorção das águas pluviais que seriam bastante segundo as
previsões de Tomé que construiu uma “grande bajara” e
disponibilizou espaço para a população que quisesse um
cantinho para se alojar e escapar do grande cataclismo que
se avizinhava. Mas como a profecia dizia, o povo tinha que
ser castigado, não vendo sua rainha subir ao trono e pela
teimosia de ter votado em esquerdistas-vermelhos comu-nistas
e ateus, e se negaram à entrar na bajara. Porém, mesmo assim
o bom Tomé, homem generoso, avisou a população para que se
prevenisse comprando canoas, remos, rabetas e guar-dassem em
seus quintais para que usassem no momento da agonia. Com um
gesto preservacionista, tentou colocar um casal de cada
animal típico da região em sua bajara, mas o Ibama não
permitiu por entender que Tomé estava com “armação” e queria
os animais com o intuito de devorá-los durante a quarentena
que, ficaria ilhado com sua família sobre o “encontro das
águas” amazônicas.
E como previsto por Tomé, choveu
realmente quarenta dias e quarenta noites, e Santarém se viu
debaixo d'água, onde suas ruas se transformaram em
verdadeiros rios pela inexistência de esgotos. A população
mocoronga sofreu muito com esse fenô-meno climático e
provação divina, com a destruição de suas ca-sas e da
pavimentação malfeita de muitas ruas, de onde foram
arrancadas grandes placas de asfalto e arrastadas pelas
águas ladeira abaixo. Não consta nos papiros da história
vítimas fatais desse evento.
O centro comercial ficou literalmente
debaixo d'água e fétido com resíduos fecais diluídos nessa
água como uma das “Dez pragas do Egito”, causando grandes
transtornos e prejuízos aos mercadores passivos que perderam
seus produtos e não cobraram do poder público indenizações
pelo mau planejamento. Após as águas baixarem, o que sobrou
molhado secava-se na rua do Belo Centro e vendiam ao
“proletariado de baixa renda” a preços irrisórios para
recuperarem parte de tudo que perderam..
David Marinho
- Projetista, Construtor e Gestor Ambiental
e-mail: dasuanje@yahoo.com.br
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