Funcionário mata patrão após “piada” LGBTIfóbica em Itait

No cenário de LGBTIfobia do país, dois heterossexuais se envolvem numa briga fatal por acharem que “gay” é uma ofensa

Victor Furtado- O liberal

16.02.20 11h04

Plantão 24 Horas News
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Josean e Idelmar trabalhavam numa oficina, no bairro Bela Vista, em Itaituba. Crime foi, aproximadamente, às 8h deste sábado (15) (Plantão 24 Horas News)

Josean Silva de Abreu, de 45 anos, foi assassinado em Itaituba. Quem o matou, a tiros, foi um funcionário dele, Idelmar Gomes Pereira, conhecido como “Cuiabano”. O homem se entregou, espontaneamente, à Polícia Civil e confessou o crime. Tudo ocorreu na manhã deste sábado (16). E porque o patrão chamou o réu confesso de “gay”. A LGBTIfobia é tão estruturada no Brasil que ser chamado de gay é considerado uma ofensa e passível de punições até letais.

As duas pessoas heterossexuais envolvidas na briga trabalhavam numa oficina, em Itaituba mesmo, na esquina da Sétima rua com a travessa Justo Chermont, bairro Bela Vista. Ainda não ficou bem explicado em que contexto ocorreu o diálogo no qual Josean fez o comentário que tanto desagradou Idelmar. Mas o crime ocorreu logo que a oficina estava abrindo, aproximadamente às 8h.

Idelmar usou uma espingarda que costumava expor em fotos, nas redes sociais digitais. A arma foi apreendida e será periciada. Tanto assassino quanto a vítima tinham perfil de fazer “piadas” preconceituosas. Algo que ainda é muito comum no Brasil. O réu confesso foi preso preventivamente, enquanto a Polícia Civil conclui as investigações. Mas trata-se de um homicídio doloso, sem chance de defesa, por um motivo banal.

Idelmar, o "Cuiabano", confessou ter matado o patrão por ter sido chamado de "gay".

Idelmar, o “Cuiabano”, confessou ter matado o patrão por ter sido chamado de “gay”. (Plantão 24 Horas News)

A LGBTIfobia mata. E dessa vez matou uma pessoa heterossexual. Dados cruzados de entidades e do IBGE apontam que entre 14% e 16,5% da população brasileira é LGBTI+, sendo 10% gays, 6% lésbicas e 0,5% trans. Mas esses dados, até hoje, não têm base sólida e confiável e já estão muito defasados. Acredita-se que muita gente nem esteja representada, já que faltam também bissexuais e intersexos. Muitas pessoas podem nem querer se identificar como LGBTI+ por medo ou preconceitos consigo mesmos.

O Brasil é o país que mais mata pessoas a população LGBTI+ no mundo. Principalmente pessoas trans, segundo a ONG Transgender Europe. Curiosamente, é um dos países que mais consome pornografia LGBTI+ no planeta, também ressalta a ONG. Uma conta difícil de entender. Se Josean e Idelmar não achassem que “gay” é uma ofensa, ambos seguiriam vivendo normalmente. O patrão vivo e o funcionário em liberdade.

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