Salles diz que regras do Fundo Amazônia estão em discussão e não se surpreende com suspensão de repasse da Noruega

Ministro do Meio Ambiente afirma que ‘qualquer repasse’ deve aguardar desfecho sobre regras do fundo. Segundo jornal norueguês, governo daquele país vai suspender repasse de R$ 133 milhões.

Por Daniela Salerno, GloboNews


Ministro do meio ambiente fala sobre suspensão do Fundo Amazônia

G1 SP

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Ministro do meio ambiente fala sobre suspensão do Fundo Amazônia

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse nesta quinta-feira (15) que as regras do Fundo Amazônia estão em discussão e que é “natural qualquer repasse aguarde o desfecho a cerca de quais as regras aplicadas”.

Salles deu essa declaração ao ser perguntado sobre a decisão do governo da Noruega suspender os repasses de 300 milhões de coroas norueguesas, o equivalente a R$ 133 milhões, segundo informou o jornal norueguês “Dagens Naeringsliv”. A decisão seria uma represália às mudanças na formação do Comitê Orientador do Fundo Amazônia, segundo informações de O Globo.

“Isso é muito sério para toda a luta pelo clima. A Amazônia é o pulmão do mundo e todos nós dependemos inteiramente da proteção da floresta tropical lá. Não há cenários para atingir as metas climáticas sem a Amazônia”, disse o ministro do meio ambiente da Noruega, Ola Elvestuen na entrevista.

O ministro do meio ambiente, Ricardo Salles, após a reunião dos ministros dos Brics em São Paulo nesta quinta-feira (15) — Foto: Bruno Rocha/Fotoarena/Estadão Conteúdo

G1 questionou o governo da Noruega sobre a suspensão do repasse e aguarda retorno.

Salles disse que não fica surpreso com a paralisação do repasse da Noruega. “Não, o fundo está suspenso. Portanto tem que aguardar o resultado para poder ver se vai ter a destinação”, afirmou após encontro com ministros do meio ambiente de países do Brics (Brasil, Rússia, Índia e China), em São Paulo.

Salles disse que no encontro foram abordados assuntos como tratamento sanitário, gestão do lixo, qualidade do ar e apoio à biodiversidade.

“Fizemos um acordo que vamos produzir em três meses uma lista de referências de tecnologias para estes casos saneamento e gestão do lixo afim de recursos para os países que participam. O primeiro recurso de US$ 500 milhões já estão acordados até janeiro. Ainda será estudado qual é a melhor forma de repassar para o governo federal e municípios.”

Fundo Amazônia

Floresta Nacional do Tapajós — Foto: Marcelo Brandt/G1

Floresta Nacional do Tapajós — Foto: Marcelo Brandt/G1

Criado em 2008 para financiar projetos de redução do desmatamento, o Fundo Amazônia está paralisado em 2019. Nenhum projeto foi aprovado para financiamento neste ano. No mesmo período do ano passado, quatro haviam sido aprovados. Ao todo, 11 propostas foram apoiadas em 2018, com investimento total de R$ 191,19 milhões.

O Fundo Amazônia, que já captou R$ 3 bilhões em doações, financia projetos de estados, municípios e da iniciativa privada para o desenvolvimento sustentável da Amazônia Legal. Noruega e Alemanha contribuem juntas para mais de 90% do total do fundo, que é administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O impasse sobre o seu futuro se tornou público em maio, quando Ricardo Salles, titular do Ministério do Meio Ambiente, anunciou a intenção de alterar seu funcionamento e destinar recursos para indenizar proprietários de terras.

Os principais países doadores do fundo disseram, à época, que estavam satisfeitos com a gestão dele e com os resultados obtidos. No último sábado (10), diante do aumento do desmatamento no Brasil, a ministra do meio ambiente alemã, Svenja Schulze, disse que irá suspender o financiamento de R$ 150 milhões (35 milhões de euros) em projetos para a proteção da floresta e biodiversidade no país. É um dinheiro extra, que não é destinado aos projetos do fundo. Em resposta, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o Brasil não precisa

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